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Ginecologia

Endometriose: sintomas, causas, diagnóstico e tratamento

Guia completo sobre endometriose: como diferenciar a cólica comum da cólica da doença, quais exames confirmam o diagnóstico, os tratamentos disponíveis e o que muda para quem deseja engravidar.
1 em cada 10mulheres em idade reprodutiva tem endometriose
7 a 10 anosé o atraso médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico
Até 50%das mulheres com infertilidade têm endometriose

O que é endometriose

Endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao endométrio, a camada que reveste o interior do útero, cresce fora dele. Esse tecido pode se instalar nos ovários, nas trompas, no peritônio, no intestino, na bexiga e em outros órgãos da pelve.

Assim como o endométrio, esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual. A cada ciclo ele inflama e sangra, mas o sangue não tem por onde sair. O resultado é inflamação, formação de aderências entre os órgãos e dor pélvica que tende a piorar com o tempo.

A doença é classificada conforme a localização e a profundidade das lesões: superficial (peritoneal), ovariana (endometrioma) e profunda, quando infiltra mais de 5 mm e atinge órgãos como intestino e bexiga.

Sintomas da endometriose

O sintoma mais comum é a cólica menstrual forte, que atrapalha a rotina e não melhora com analgésicos comuns. Cólica incapacitante não é normal e merece investigação.

  • Cólica menstrual intensa e progressiva, que obriga a faltar ao trabalho ou à escola
  • Dor durante ou após a relação sexual (dispareunia de profundidade)
  • Dor pélvica crônica, fora do período menstrual
  • Dor ou sangramento ao evacuar ou urinar durante a menstruação
  • Alterações intestinais cíclicas: inchaço, diarreia ou constipação perto da menstruação
  • Dificuldade para engravidar
  • Cansaço persistente e sangramento menstrual aumentado

Endometriose sem sintomas

Algumas mulheres têm poucos sintomas ou nenhum, e a doença só é descoberta durante a investigação de infertilidade ou em exames de rotina. A intensidade da dor nem sempre acompanha a extensão das lesões.

Procure atendimento de urgência se houver

  • Dor pélvica súbita e muito intensa, que pode indicar ruptura ou torção de cisto no ovário
  • Dor acompanhada de febre, vômitos ou desmaio
  • Sangramento vaginal muito volumoso, com tontura ou fraqueza

Causas e fatores de risco

A causa exata ainda não é totalmente conhecida. A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada, em que parte do sangue menstrual reflui pelas trompas para a cavidade pélvica. Fatores imunológicos, genéticos e hormonais explicam por que apenas algumas mulheres desenvolvem a doença.

  • Histórico familiar: mãe ou irmã com endometriose aumenta o risco em até 7 vezes
  • Menarca precoce, com primeira menstruação antes dos 11 anos
  • Ciclos menstruais curtos, com menos de 27 dias
  • Fluxo menstrual intenso e prolongado, com mais de 7 dias
  • Não ter tido gestações
  • Alterações anatômicas que dificultam a saída do fluxo menstrual

Tipos de endometriose

TipoOnde ocorreCaracterística
SuperficialPeritônio pélvicoLesões pequenas na superfície dos órgãos; pode causar dor mesmo sendo discreta
OvarianaOváriosForma cistos chamados endometriomas, conhecidos como “cistos de chocolate”
ProfundaIntestino, bexiga, ligamentosInfiltra mais de 5 mm; costuma causar dor intensa e sintomas intestinais ou urinários
AdenomioseParede do úteroDoença relacionada, em que o tecido cresce dentro do músculo uterino

Como é feito o diagnóstico

O ginecologista combina a história clínica com exames de imagem feitos por profissionais treinados para mapear a doença. A maior parte dos casos hoje é diagnosticada sem cirurgia.

  1. Avaliação clínica
    Detalhamento da cólica, da dor na relação, dos sintomas intestinais e urinários, histórico familiar e exame ginecológico com toque.
  2. Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal
    Principal exame para mapear endometriose profunda. Precisa ser feito por um especialista treinado, porque o exame comum pode não detectar as lesões.
  3. Ressonância magnética da pelve
    Complementa o ultrassom na avaliação da extensão das lesões, principalmente antes de uma cirurgia.
  4. Exames de sangue
    O CA-125 pode estar elevado, mas não confirma nem descarta a doença sozinho. Serve como apoio ao quadro clínico.
  5. Videolaparoscopia
    Hoje reservada para quando há indicação de tratamento cirúrgico. Permite confirmar o diagnóstico com biópsia e retirar as lesões no mesmo procedimento.

Tratamento da endometriose

O tratamento é individualizado e depende da intensidade dos sintomas, da localização das lesões, da idade e do desejo de engravidar. O objetivo é controlar a dor, conter a progressão e preservar a fertilidade.

Tratamento hormonal

Primeira linha para a maioria das pacientes. Anticoncepcionais de uso contínuo, progestagênios isolados (como o dienogeste) e o DIU hormonal suspendem a menstruação e reduzem a atividade das lesões e a dor.

Controle da dor

Anti-inflamatórios e analgésicos ajudam nas crises. Fisioterapia pélvica, atividade física regular e acompanhamento nutricional complementam o tratamento e melhoram a qualidade de vida.

Cirurgia por videolaparoscopia

Indicada quando o tratamento clínico não controla a dor, nos endometriomas grandes, na endometriose profunda que compromete intestino, bexiga ou ureter e em alguns casos de infertilidade. É minimamente invasiva, com pequenas incisões e recuperação mais rápida.

Endometriose e fertilidade

Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Quando há dificuldade, o especialista avalia a reserva ovariana e pode indicar cirurgia, inseminação ou fertilização in vitro, conforme o caso. Mulheres que desejam adiar a gestação podem discutir o congelamento de óvulos.

Convivendo com a endometriose

A endometriose é uma doença crônica, mas com acompanhamento adequado a maioria das mulheres controla os sintomas e mantém uma rotina normal.

  • Não normalizar a cólica: dor que atrapalha a rotina deve ser investigada
  • Manter acompanhamento regular com ginecologista, mesmo com os sintomas controlados
  • Seguir o tratamento hormonal sem interrupções por conta própria
  • Praticar atividade física regularmente, que reduz a inflamação e a percepção da dor
  • Priorizar uma alimentação anti-inflamatória, com menos ultraprocessados, álcool e carne vermelha
  • Buscar apoio psicológico quando a dor crônica afetar o humor, o sono ou os relacionamentos
  • Planejar a gestação com o especialista, se houver desejo de engravidar

Perguntas frequentes sobre endometriose

Endometriose tem cura?

A endometriose é uma doença crônica e não tem uma cura definitiva, mas tem controle. Com tratamento hormonal, cirurgia quando indicada e acompanhamento regular, a maioria das mulheres fica sem dor e com boa qualidade de vida.

Quem tem endometriose pode engravidar?

Sim. Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Nos casos em que há dificuldade, existem tratamentos cirúrgicos e de reprodução assistida com boas taxas de sucesso. O ideal é planejar a gestação com o especialista.

Cólica forte é sempre endometriose?

Não, mas cólica que incapacita, que piora com os anos ou que não melhora com analgésicos comuns é o principal sinal de alerta e precisa ser investigada por um ginecologista.

Qual médico trata endometriose?

O ginecologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento. Nos casos complexos, o ideal é um ginecologista com experiência específica em endometriose, que pode trabalhar junto com cirurgião coloproctologista, urologista e especialista em reprodução humana.

A endometriose some na menopausa?

Na maioria dos casos os sintomas diminuem bastante após a menopausa, porque a doença depende do estrogênio. Em algumas mulheres, lesões profundas podem continuar exigindo acompanhamento.

Ultrassom comum detecta endometriose?

O ultrassom transvaginal comum identifica endometriomas nos ovários, mas costuma não detectar a endometriose profunda. Para isso é indicado o ultrassom com preparo intestinal, feito por profissional treinado, ou a ressonância magnética.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Em caso de sintomas, procure um profissional com CRM ativo.

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