O que é endometriose
Endometriose é uma doença inflamatória crônica em que um tecido semelhante ao endométrio, a camada que reveste o interior do útero, cresce fora dele. Esse tecido pode se instalar nos ovários, nas trompas, no peritônio, no intestino, na bexiga e em outros órgãos da pelve.
Assim como o endométrio, esse tecido responde aos hormônios do ciclo menstrual. A cada ciclo ele inflama e sangra, mas o sangue não tem por onde sair. O resultado é inflamação, formação de aderências entre os órgãos e dor pélvica que tende a piorar com o tempo.
A doença é classificada conforme a localização e a profundidade das lesões: superficial (peritoneal), ovariana (endometrioma) e profunda, quando infiltra mais de 5 mm e atinge órgãos como intestino e bexiga.
Sintomas da endometriose
O sintoma mais comum é a cólica menstrual forte, que atrapalha a rotina e não melhora com analgésicos comuns. Cólica incapacitante não é normal e merece investigação.
- Cólica menstrual intensa e progressiva, que obriga a faltar ao trabalho ou à escola
- Dor durante ou após a relação sexual (dispareunia de profundidade)
- Dor pélvica crônica, fora do período menstrual
- Dor ou sangramento ao evacuar ou urinar durante a menstruação
- Alterações intestinais cíclicas: inchaço, diarreia ou constipação perto da menstruação
- Dificuldade para engravidar
- Cansaço persistente e sangramento menstrual aumentado
Endometriose sem sintomas
Algumas mulheres têm poucos sintomas ou nenhum, e a doença só é descoberta durante a investigação de infertilidade ou em exames de rotina. A intensidade da dor nem sempre acompanha a extensão das lesões.
Procure atendimento de urgência se houver
- Dor pélvica súbita e muito intensa, que pode indicar ruptura ou torção de cisto no ovário
- Dor acompanhada de febre, vômitos ou desmaio
- Sangramento vaginal muito volumoso, com tontura ou fraqueza
Causas e fatores de risco
A causa exata ainda não é totalmente conhecida. A teoria mais aceita é a da menstruação retrógrada, em que parte do sangue menstrual reflui pelas trompas para a cavidade pélvica. Fatores imunológicos, genéticos e hormonais explicam por que apenas algumas mulheres desenvolvem a doença.
- Histórico familiar: mãe ou irmã com endometriose aumenta o risco em até 7 vezes
- Menarca precoce, com primeira menstruação antes dos 11 anos
- Ciclos menstruais curtos, com menos de 27 dias
- Fluxo menstrual intenso e prolongado, com mais de 7 dias
- Não ter tido gestações
- Alterações anatômicas que dificultam a saída do fluxo menstrual
Tipos de endometriose
| Tipo | Onde ocorre | Característica |
|---|---|---|
| Superficial | Peritônio pélvico | Lesões pequenas na superfície dos órgãos; pode causar dor mesmo sendo discreta |
| Ovariana | Ovários | Forma cistos chamados endometriomas, conhecidos como “cistos de chocolate” |
| Profunda | Intestino, bexiga, ligamentos | Infiltra mais de 5 mm; costuma causar dor intensa e sintomas intestinais ou urinários |
| Adenomiose | Parede do útero | Doença relacionada, em que o tecido cresce dentro do músculo uterino |
Como é feito o diagnóstico
O ginecologista combina a história clínica com exames de imagem feitos por profissionais treinados para mapear a doença. A maior parte dos casos hoje é diagnosticada sem cirurgia.
- Avaliação clínica
Detalhamento da cólica, da dor na relação, dos sintomas intestinais e urinários, histórico familiar e exame ginecológico com toque. - Ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal
Principal exame para mapear endometriose profunda. Precisa ser feito por um especialista treinado, porque o exame comum pode não detectar as lesões. - Ressonância magnética da pelve
Complementa o ultrassom na avaliação da extensão das lesões, principalmente antes de uma cirurgia. - Exames de sangue
O CA-125 pode estar elevado, mas não confirma nem descarta a doença sozinho. Serve como apoio ao quadro clínico. - Videolaparoscopia
Hoje reservada para quando há indicação de tratamento cirúrgico. Permite confirmar o diagnóstico com biópsia e retirar as lesões no mesmo procedimento.
Tratamento da endometriose
O tratamento é individualizado e depende da intensidade dos sintomas, da localização das lesões, da idade e do desejo de engravidar. O objetivo é controlar a dor, conter a progressão e preservar a fertilidade.
Tratamento hormonal
Primeira linha para a maioria das pacientes. Anticoncepcionais de uso contínuo, progestagênios isolados (como o dienogeste) e o DIU hormonal suspendem a menstruação e reduzem a atividade das lesões e a dor.
Controle da dor
Anti-inflamatórios e analgésicos ajudam nas crises. Fisioterapia pélvica, atividade física regular e acompanhamento nutricional complementam o tratamento e melhoram a qualidade de vida.
Cirurgia por videolaparoscopia
Indicada quando o tratamento clínico não controla a dor, nos endometriomas grandes, na endometriose profunda que compromete intestino, bexiga ou ureter e em alguns casos de infertilidade. É minimamente invasiva, com pequenas incisões e recuperação mais rápida.
Endometriose e fertilidade
Muitas mulheres com endometriose engravidam naturalmente. Quando há dificuldade, o especialista avalia a reserva ovariana e pode indicar cirurgia, inseminação ou fertilização in vitro, conforme o caso. Mulheres que desejam adiar a gestação podem discutir o congelamento de óvulos.
Convivendo com a endometriose
A endometriose é uma doença crônica, mas com acompanhamento adequado a maioria das mulheres controla os sintomas e mantém uma rotina normal.
- Não normalizar a cólica: dor que atrapalha a rotina deve ser investigada
- Manter acompanhamento regular com ginecologista, mesmo com os sintomas controlados
- Seguir o tratamento hormonal sem interrupções por conta própria
- Praticar atividade física regularmente, que reduz a inflamação e a percepção da dor
- Priorizar uma alimentação anti-inflamatória, com menos ultraprocessados, álcool e carne vermelha
- Buscar apoio psicológico quando a dor crônica afetar o humor, o sono ou os relacionamentos
- Planejar a gestação com o especialista, se houver desejo de engravidar
